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Teoria das cores (parte 1 - básico do básico)


Miiinha gente amada! Mais uma promessa pendente se transforma em post nesse 2012 (eba!). Finalmente a bola da vez é falar sobre a teoria das cores.

Desde há muito, durante várias conversas por email com alguns leitores, é super recorrente o surgimento de assuntos do tipo: "como coordenar sombras?", "como escolher a maquiagem de acordo com a roupa?", "como eleger a cor do blush?", "e esse negócio de corretivo colorido?"... enfim...

O curioso do babado todo é que a teoria das cores norteia cada uma dessas escolhas, auxilia horrores nas decisões e minimiza bem os riscos de gongos, por isso achei finíssimo falar um pouquinho sobre o assunto de uma forma mais completa. 

Vale ressaltar, entretanto, que a ciência em si (que é a mesma utilizada nas artes, na moda e na decoração) traz uma gama meio complexa de conceitos, então resolvi facilitar a vida do ser humano e voltar os posts à ramificação que interessa para os fins deste blog: a maquiagem.

Ainda não consegui terminar o texto todo, mas como a coisa já estava tomando proporções astronômicas achei justo evitar a fadiga do leitor e subdividir o assunto em dois posts: parte 1 (que aborda as classificações básicas de cores) e parte 2 (que traz as técnicas de harmonização).

  • Introdução: modelos de cor

Para começar do começo, é bom fazer uma introduçãozinha geral sobre os modelos de classificações de cores, porque em tese existem 3 correntes (e isso faz uma super diferença para quem for pesquisar um pouquinho mais a respeito, pois pode se deparar com informações desecontradas). A diferença prática elas é, basicamente, o trio de cores consideradas primárias em cada tipo.

O RYB (red yellow blue) é o mais tradicional, surgiu da Teoria das Cores de Goethe (1810) e parte do trio vermelho, amarelo e azul como cores primárias. Trata-se de modelo subtractivo, no qual a mistura de cores primárias resulta em tom mais escuro do que os originais (e a mistura das 3 cores primárias resulta em preto).

Já o modelo CMY (cyan magenta yellow) é utilizado mais modernamente na impressão das cores (quem nunca viu aquelas impressoras com cartuchos independentes, né, minha gente?!), também é subtractivo e parte de ciano, magenta e amarelo como cores primárias.

Por fim, o RGB (red green blue) é modelo digital, válido apenas para mix de luzes e utilizado na televisão, em câmeras digitais e afins. Trata-se de modelo aditivo, onde a soma das cores resulta em nuances mais claras, aaand parte de vermelho, verde e azul como cores primárias.

Não vou me aprofundar nos modelos CMY e RGB, porque o que vale mesmo para os fins da nossa queridice de make é o tradicional RYB mesmo (os demais foram citados apenas como referência de diferenciação).


  • Círculo cromático I: cores primárias, secundárias e terciárias (quentes e frias)


O passo 1 para começar a entender um pouquinho a respeito do funcionamento das cores é o círculo cromático, que ilustra de forma mais didática a ciência. 

De acordo com a teoria, as três cores do centro (vermelho, amarelo e azul) são as cores primárias, responsáveis pela "fabricação" de todas as demais existentes. 

Em tese, essas matizes são determinadas dessa forma porque não são fruto de nenhum mistura; são puras (sim, existe contorvérsia, sobretudo se notarmos que no modelo CMY o vermelho e o azul são cores secundárias - misturas de magenta+amarelo e ciano+amarelo, respectivamente, mas fica o ensinamento tradicional, que super funciona e é largamente urilizado na maquiagem).

Se considerarmos o vermelho, o amarelo e o azul como primárias, quando misturadas entre si elas 'dão à luz' cores secundárias: vermelho + amarelo = laranja, vermelho + azul = violeta e azul + amarelo = verde.

A partir daí o fenômeno se repete e a mistura de cores secundárias com as primárias (que são suas vizinhas no círculo cromático) resultam em cores terciárias: verde + amarelo = verde limão, azul + verde = azul esverdeado, violeta + azul = violeta azulado, violeta + vermelho = vinho, vermelho + laranja = vermelho alaranjado e amarelo + laranja = amarelo alaranjado.

Na prática, essa informação esclarece o porquê de muitas transições de cores de sombras, por exemplo, arrasarem em tons não usados na maquiagem (quem não se lembra do look da Danu no desfio de make que rolou aqui no final do mês passado, quando o trio vermelho, amarelo e azul da proposta dos olhos se transformou acidentalmente num rainbow look graças às misturinhas?)

Ainda nesse formato basicão, dá para ter a nítida noção da temperatura das cores. As frias sempre remetem ao gelo, paisagens naturebas e afins (verdes e azulados); já as quentes remetem ao fogo (amarelos, laranjas e avermelhados).

Pode até parecer óbvia demais essa diferenciação (e por isso mesmo tem gente que duvida que o método seja tão simples), mas, em linhas gerais, é exatamente assim que funciona a "fabricação de cores".


  • Círculo cromático II: cores complementares e análogas

Considerado agora o mesmo círculo cromático, com as 12 cores indicadas no tópico anterior (primárias, secundárias e terciárias), a disposição das matizes na roda é o que estabelece as funções de harmonização que serão vistas na parte 2.

Para começar a coisa toda, no entanto, é essencial ter em mente duas classificações básicas: a das cores complementares e das análogas, que são essenciais para entender as ramificações dos métodos de harmonização.


As cores complementares são as diametralmente opostas no círculo. Na prática, quando combinadas elas resultam no maior grau de contraste possível (a famosa técnica do destaque mútuo); já quando sobrepostas elas se anulam (faceta conhecidíssima na neutralização de olheiras/manchas por meio de corretores coloridos, por exemplo) e, por fim, quando misturadas elas criam uma nova cor, sempre mais escura e cinzenta (o que super explica porque às vezes, ao fundirmos uma cor na outra num esfumado, por exemplo, a transição fica pretinha).



Existem ainda as cores análogas, que são vizinhas no círculo cromático e, por isso mesmo, são mais facilmente perceptíveis. Via de regra são cores de mesma 'família' e/ou que trazem elemento comum (no exemplo: vermelho alaranjado, vermelho e vinho - todas trazem o vermelho como fator comum da composição). No make são as combinações mais comuns nas paletinhas de sombras - sobretudo aquelas com guias de 'onde vai cada cor', por exemplo (cor clara para o canto interno, cor média para a pálpebra e cor escura para o côncavo).




Com esses dados super sucintos e noção geral dos efeitos da coordenação básica das cores, juro que será muito mais tranquilo entender as variáveis de harmonização cromática, que vêm na parte 2.

  • Círculo cromático III: tons

Por fim (pelo menos por enquanto), ainda considerado o círculo cromático de 12 cores que foi formado lá no comecinho do post, vale considerar também os tons derivados dessas mesmas doze matizes e que são alcançados por meio unicamente da mescla de preto e branco aos tons puros.





É megafácil, minha gente. Em linhas gerais, as matizes (cores puras) são aquelas formadas pelas cores primárias, secundárias e terciárias da roda das cores.

Ao adicionar o branco a essas cores, têm-se os tons pastel (cartela mais clarinha - ex.: vermelho alaranjado + branco = pêssego); já com a adição de branco e preto (= cinza) às matizes, têm-se os meios-tons (cores tonalizadas de fundo acinzentado - ex.: verde + cinza = militar); e, finalmente, com a adição de preto às cores puras, têm-se as sombras (tons profundos - ex.: vermelho + preto - bordô).

O resultado final dos tons é, nos três casos mencionados (pastel, meios-tons e sombras) sempre variável de acordo com a proporção da mistura.


*

De forma bem concisa, esses são os elementos básicos para que se possa começar a pensar em harmonização (juro que tentei simplificar ao máximo a coisa toda sem  perder a essência da informação, people).

A combinação de sombras, harmonização de make de acordo com o tom de pele, coordenação de maquiagem de acordo com a roupa, escolha da tonalidade de blush mais condizente com a proposta do look e até mesmo neutralização de manchas na hora de fazer a pele terão execução incrivelmente mais natural a partir dessa intro.

Vale finalizar esclarecendo que a minha proposta para esse babado todo é dar uma mão para que todo mundo possa fugir das 'receitas' prontas que inundam a blogosfera em geral (o enfadonho "isso combina com aquilo e pronto... basta reproduzir e está bom"). Não curto, sinceramente, então acho mais bacana compartilhar um pouquinho da técnica que pode permitir que cada um eleja como quer harmonizar a maquiagem.

Dito isso, a parte 2, quando toda essa teoria poderá ser alinhavada para ser colocada em prática, vem loguinho (até o final da semana, se tudo der certo).


Stay tuuuned.

* Parte 2 - aqui.



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