Ínicio - Quem faz - política - contato

Verão: um pequeno tratado sobre fototipos, biotipos cutâneos e fotoproteção


 


People, algumas semanas atrás rolou mais um daqueles workshops profissas/bacanudos da ADCOS (sempre falo deles por aqui) e o tema da vez, muito propício por sinal, foi fotoproteção. O babado é bem relevante e veio como complemento da campanha mantida pela marca para prevenção ao câncer de pele.

Assim, como aprender e guardar para si não adianta lá muita coisa, vim fazer um resumão das infos obtidas por lá, juntamente com um pequeno estudo mais pormenorizado do assunto, que optei por fazer voluntariamente para poder sintetizar um pouquinho da questão tipo de pele x proteção solar e, quem sabe, vir a dar uma mãozinha na escolha do filtro mais indicado para cada um.

Vale adiantar que este post não tem a menor pretensão de substituir a necessária consulta ao dermatologista que todo mundo deve fazer, mas serve apenas para compartilhar informações importantes, bem bacanas e que norteiam um pouco o tópico.

Para começar a questão técnica, a proteção solar deve funcionar em quatro frentes: raios UVB, UVA, radiação infravermelha (ligada à sensação de calor / sem proteção pode potencializar os efeitos dos raios UVA/UVB) e luz visível (é a que menos dano causa, mas atua profundamente na pele podendo vir a favorecer o aparecimento de manchas).

Conclusão? É fácil notar que devemos nos proteger o tempo todo, basicamente, até mesmo dentro de casa (em menor grau, é verdade, mas a necessidade existe). Para tanto, nada mais justo do que enteder quais são os elementos protetores, né, minha gente?!.

FPS
(Fator de Proteção Solar, que é a medida de proteção contra os raios UVB)

UVB (B = burn/queimadura): queima, deixa a pele vermelha, é dos raios mais nocivos e acontece no período entre as 10:00 e as 17:00 horas, aproximadamente.

De uma forma bem geral (mas ao mesmo tempo minimamente didática), o número do FPS dos protetores é determinado por estudos científicos dos produtos, que medem o tempo transcorrido até iniciar o processo de vermelhidão na pele com o filtro e sem. Na prática, se a pele protegida pelo produto leva 30 minutos para começar a ficar vermelha enquanto sem proteção leva 2 minutos, o FPS é exatamente a média desses dois tempos, ou seja 30/2. Para esse caso hipotético, então,  teríamos um FPS 15. 

Evidente que a coisa toda é infinitamente mais complexa, mas pelo menos essa geral já dá uma norteada sobre como as coisas funcionam (porque não, o FPS não tem nada a ver com quantas vezes a mais poderemos tomar sol, como se diz muito por aí).


PPD
(Persistent Pigment Darkening, que é a medida de proteção contra os raios UVA)

UVA (A = ageing/envelhecimento): envelhece, bronzeia, está presente o tempo todo e penetra profundamente, podendo vir a alterar o DNA celular (maior risco de câncer de pele).
 
O ideal é que o PPD corresponda a pelo menos 1/3 do FPS (podendo também ser identificado em porcentagem e/ou por cruzinhas). No entanto, infelizmente poucas são as marcas que já utilizam essa identificação (importantíssima, diga-se de passagem).



Fototipos

A definição dos fototipos, desenvolvida por Thomas B. Fitzpatrick, considera a sensibilidade da pele aos raios UV. Basicamente, é a análise dessa classificação que define o FPS mínimo recomendável para cada um.

São 6 fototipos medidos pela capacidade da pele de queimar e bronzear quando exposta à radiação solar (e eu bem aproveitei umas celebs bacanudas para ilustrar melhor do que se trata):



      I) branco sensível (queima com facilidade e nunca bronzeia) = FPS 60+
     II) branco (queima com facilidade e bronzeia pouco) = FPS 40+
     III) moreno claro (queima e bronzeia moderadamente) = FPS 40+ e pigmento*
     IV) moreno moderado (queima pouco e bronzeia com facilidade) = FPS 30+
     V) moreno escuro (queima raramente e bronzeia bastante) = FPS 21+
     VI) negro (nunca queima e possui pele super pigmentada) = FPS 15+

* o fototipo III, via de regra, tem tendência a manchas; assim, a barreira física do pigmento (a.k.a. proteção solar com cor) auxilia na minimização do problema.


Biotipos Cutâneos

Quando o assunto é biotipo cutâneo, a classificação mais conhecida é, sem dúvidas, a realizada por Helena Rubinstein lá no início do século passado, que considera a diferenciação apenas com base no conteúdo hídrico (hidratação) e lipídico (oleosidade) da superfície da pele.

São 4 tipos:
  • oleosa (rica em lipídios, poros largos, aspecto lustroso, resiste melhor ao envelhecimento, bronzeia com facilidade e não retém bem a maquiagem);
  • seca (carente de hidratação, aspecto opaco, coloração levemente avermelhada, falta elasticidade, tendência à descamação e sofre na exposição solar);
  • normal ou eudérmica (hidratada, equilibrada, coloração rosada, poros pouco visíveis, textura lisa e suave ao toque);
  • mista (características de pele oleosa na zona 'T' e seca nas demais áreas do rosto).

No entanto, uma dermato gringa, Dra. Leslie Baumann, desenvolveu um critério um tiquinho mais complexo, depois de pencas de estudos e testes, que leva em consideração quatro características (que, combinadas, classificam 16 tipos diferentes de pele): 
  • hidratação = D (dry/seca) x O (oily/oleosa);
  • sensibilidade = S (sensitive/sensível) x R (resistant/resistente);
  • pigmentação = P (pigmented/pigmentada) x N (non-pigmented/não pigmentada);
  • tendência a rugas = W (wrinkled/enrugada) x T (tight/firme)

Essa classificação do biotipo cutâneo é que vai determinar o tipo de produto exato, dentro daquele FPS recomendável, que é mais indicado para cada um. A textura mais bacana para uma pele oleosa, por exemplo, certamente não será a mesma indicada para uma pele seca, da mesma forma que a formulação recomendada para uma pele sensível é mais suave do que a indicada para uma pele resistente.

Para quem quiser fazer o teste adaptado de classificação, o site da Veja mantém um - aqui, ó! (É meio demorado, mas super interessante - e eu sou DRNW de fototipo II, caso alguém tenha ficado curioso em saber).




Recomendações gerais sobre fotoproteção

  • A quantidade recomendada de filtro no rosto é de 2mg/cm², volume que, grosso modo, é equivalente a um montinho de produto (em creme) que cubra a falange distal do anelar (da ponta até a primeira dobra do dedo).

    De uma forma ainda um pouquinho mais simples, 2 gramas de produto costumam ser suficientes para a área do rosto. O bizarro é que ser humano médio costuma utilizar 1/4 disso, algo em torno de 0,5 gramas para o rosto todo. Loucura, né?! #passada

    No caso dos produtos de consistência difícil de ser medida por esse método, como loções, fluidos, mousses e afins, vale o bom senso, guardado o parâmetro de quantidade.

  • O filtro não deve ser espalhado no rosto, mas sim pressionado na pele de modo a formar uma fina camada levemente esbranquiçada de produto (por isso a quantidade recomendada é bem maior do que estamos acostumados a aplicar). A recomendação é que se espere a absorção da camadinha aplicada antes de iniciar o ritual de make. 

  •  O filtro solar, via de regra, é um híbrido de proteção física (pó mineral - dióxido de titânio ou óxido de zinco) e química (veículo oleoso), por isso a grande maioria dos produtos possui coloração esbranquiçada.

    Esses materiais são cumulativos, devendo ser inteiramente removidos no final do dia (sim, demaquilados mesmo, ainda que não role um make junto), com posterior limpeza da pele, tonificação e hidratação habituais.

  • Já para quem, como eu, usa filtro com cor na nítida certeza de que está inteiramente protegido, sinto informar que não é bem assim. Como o objetivo principal do produto é uniformizar a pele, a quantidade aplicada no rosto acaba sendo inferior à suficiente para a fotoproteção adequada.

    Assim, a utilização de produto tonalizante não exclui a necessidade de aplicação prévia de uma camadinha amiga de filtro comum, para que o produto com cor consiga complementar a proteção e uniformizar a pele como tem que ser.

  • Em tese, o filtro deve ser reaplicado a cada 2 horas para manter 100% da proteção durante o dia todo. No entanto, como seria necessário que não tivéssemos mais nada o que fazer da vida para que isso fosse possível de ser seguido, é exatamente nesse intervalo que entra a recomendação do reforço via pós compactos com proteção solar. 



No mais, a proteção das áreas expostas do corpo deve acontecer tanto quanto no rosto, mas a tendência é realmente a de utilizarmos uma proteção menos "neurótica" no quesito FPS. 


De qualquer forma (e sobretudo na exposição por períodos mais longos) o ideal é atentar à fotoestabilidade do filtro, que nada mais é do que a capacidade de se manter ativo na presença de luz. 

No caso de praia, piscina e afins, quando acontece toda uma submersão prolongada do ser humano na água, vale atentar também à hidrorresistência do protetor (todas essas infos devem vir descritas na embalagem).

Ah! Por fim, não vale esquecer dos lábios, hein, minha gente?!



Ufa... acho que é isso. Juro que, apesar do objetivo aqui ter sido o de enfatizar a proteção do rosto, tentei cobrir um tiquinho de tudo o que me lembrei de cabeça. Caso eu tenha esquecido de alguma coisa, pitacos são sempre muito bem vindos.

Suponho que muita gente tenha continuado numa super dúvida, porque a oferta de fotoprotetores é muito vasta. Por isso, se vocês acharem bacana, estou pensando seriamente em fazer uma listinha de preferidos em breve (com os devidos porquês, obviamente) para dar um help amigo. Rola?


Imagens: divulgação (exceção feita às fotos das celebs, que joguei no Google, e ao cabeçalho, by Mark A. Hicks, extraído do Discovery Education)



PageRank